MVFdoVEP: Anne

by - outubro 31, 2014

Mas afinal, o que é o MVFdoVEP? Primeiro o que significa esta sigla?MVFdoVEP é simplesmente: Minha Vida Fora do VEP. Sim, eu usei parte do título da série Minha Vida Fora de Série da queridíssima Paula Pimenta para dar vida a uma nova coluna aqui do VEP. No MVFdoVEP escreverei crônicas e textos aleatórios ou trarei conteúdos diferentes da proposta inicial do VEP. Então espero que gostem e disfrutem desta nova coluna tanto quanto eu estou gostando de escrevê-la.
Anne

No final da minha rua há um grande casarão abandonado e desde criança a curiosidade por este lugar me perturba. Lembro-me bem de todas as estórias que inventamos sobre os seus antigos moradores e todas as maldições e coisas extraordinárias que em nossa imaginação fértil de criança ganharam vida ali. Sério, nossa sociedade secreta, formada por eu (Lúcia), Gustavo, Nicole, Carol e Thiago cultivava a arte da contação de estórias e passávamos horas e horas em frente ao casarão nos divertindo de montão. Não há um dia sequer que eu não sinta saudades dessa fase onde éramos inseparáveis e inatingíveis.

Foi em um dia das bruxas como hoje, quando tínhamos apenas doze anos, que decidimos encarar o terrível e imaginável medo e partimos para a aventura: exploramos o território e descobrimos que as tardes de chuva durante as férias agora não seriam mais chatas e repetitivas. Tínhamos descoberto o paraíso e ele era só nosso.

Praticamente todos os dias, principalmente nas férias, íamos até a - agora denominada Mansão Guscanithilu (uma brincadeira tosca com as primeiras sílabas dos nossos nomes) - para conversar, jogar Quest, War ou qualquer outro jogo de tabuleiro e, é claro, para brincar com nossa imaginação.

Com o passar dos anos, os contos foram ficando mais sombrios e passamos a cultivar uma brincadeira de desafios: aquele que pedisse para parar a narração deveria fazer algo determinado pelos demais para pagar a falta de coragem.

Em uma dessas brincadeiras perdemos a Carol para sempre. Mas, antes de contar o que aconteceu, eu preciso dizer que somos todos inocentes, nenhum de nós desejamos perdê-la e o custo que pagamos por sermos tão ingênuos foi bem alto: nossa separação.

Tudo aconteceu quando resolvi contar a estória da Anne, uma garota que sofria de esquizofrenia e tinha traços psicopatas. Anne põe fim a vida de seu primeiro namoradinho de uma forma extremamente brutal e antes de cometer o suicídio escreve um pequeno verso de um poema utilizando o seu próprio sangue e o de Bruno, o namorado dela em uma das paredes de um dos quartos da Guscanithilu.

Para os sem caráter e coragem,
Deixo a dor e o meu amor,
Fica aqui a nossa mensagem,
Não precisamos do seu clamor 

Sei que foi demais tê-lo realmente escrito um pouco antes de contar. Os quatro já tinham visto, afinal eu mostrei a parede antes de começar a narração. Justo eu, a garota mais solitária do grupo, a que se escondia na Mansão e não tinha medo de se esparramar em seu piso velho de madeira, dividir o espaço com baratas, ratos e aranhas para escrever seus devaneios. Tenho certeza que peguei pesado aquele dia e Carol se foi para sempre quando a desafiamos a dar a volta no quarteirão correndo e pedindo perdão pelo crime cometido por Anne. Carol estava ainda transtornada e não viu o carro antes de atravessar. Gritamos impotentemente, mas era tarde demais. Ela foi arremessada para o outro lado da calçada.

Ainda posso escutar todas as sirenes e o desespero da motorista que se chamava, para minha desgraça, Anne.

Happy Halloween!!!!

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1 comentários

  1. ummm...então tá né...feliz Halloween...eu acho...o.Õ'
    Nem fi-fiquei com m-me-medo! *mentindo na cara dura* >.<

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