A (r)evolução das mulheres - Mindy Mcginnis

by - novembro 21, 2017


A irmã mais velha de Alex foi cruelmente assassinada depois de ter sido vítima de estupro. Três anos se passaram e a violência ainda domina Alex, ela quer por fim a dor que sente e encontra um jeito de lidar com isso: qualquer predador sexual que atravessar o seu caminho terá o merecido.
Quando peguei este livro pra ler, eu já sabia de sua premissa e criei uma certa expectativa. Porém, fui surpreendida pela forma como a autora resolveu contar essa história. Aqui nós temos três narradores, Alex, já descrita aí acima, Efepê - a filha do pastor - que convive com esse rótulo mesmo não tendo tantos problemas assim por ser quem é, e Jack, o garoto popular da escola, aquele que é cobiçado por todas as meninas.
A autora decidiu mostrar um pouco do que acontece todos os dias. Garotas são vítimas de "brincadeiras", comentários maliciosos, assédio sexual, simbologias escrotas nas portas dos banheiros e corredores públicos e muito mais. Essa cultura já ficou irraizada e somos obrigados a lutar contra a maré todos os dias quando tentamos mudar nossas atitudes.

“Vivo em um mundo em que não ser molestada na infância é considerado ter sorte”
Depois de ler, eu vi algumas discussões sobre este livro e confesso que algumas até me incomodaram bastante. Tinha gente falando que esperava mais sangue e mais ódio em um livro que já tem o suficiente. Alex é uma garota extremamente forte, mas ainda é vulnerável. Ela não se conforma com o direito do Estado de agir, principalmente quando ele é omisso, e tenta fazer justiça com as próprias mãos. Esse era o tipo de discussão que eu imagino que a autora quis provocar. Até onde devemos confiar no Estado? Se estivermos em um estado de natureza onde somos capazes de nos defender de qualquer ataque será melhor?
Apesar dele não ter uma história fácil de ser digerida, ele é importante e merece muito destaque. Demorei bastante para conseguir me expressar sobre este livro, mas acho que consegui colocar aqui um pouco do que senti e sinto sempre que olho pra ele.

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